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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ditadura Militar e crimes lesa humanidade contra Povos Originários no Brasil

Parentes:

Dia 09 de agosto de 2012 nós da Resistência Indígena Continental participamos do Debate sobre a Ditadura Militar no SINTUSP Sindicato dos Trabalhadores da USP, que é o primeiro Sindicato no Brasil a abrir espaço para Povos Originários denunciar os crimes lesa humanidade que sofremos durante o Regime Militar no Brasil.




Não por acaso vários diretores do SINTUSP estão sofrendo perseguições e processos, demissões e assedio moral por parte da Reitoria fascista da USP, esta mesma Reitoria que colaborou com o Regime Militar e com o AI-5. Para quem não sabe, há mais de uma década o SINTUSP apoia a Resistência Indígena desde a Selva Lacadona que é a nossa base mais avançada. Fortes perseguições também estão ocorrendo contra estudantes e professores da USP que estão empenhados em defender a universidade pública e comprometida com os interesses da sociedade que a sustenta. Torturas psicológicas assombram trabalhadores e estudantes da USP de modo semelhante ao que ocorreu na ditadura militar.







A Resistência Indígena Continental se manifestou através da fala do tuxaua Kaxalpynia Runayke Yagua que por cerca de 10 minutos sintetizou os horrores da Ditadura Militar pedindo aos não indígenas que nos ajudem na divulgação dos crimes lesa humanidade que sofremos durante o Regime Militar no Brasil. Partimos da articulação deste Blog da Resistência Indígena Continental com a rede de direitos humanos liderada pelo Armazém Memória, Associação Juízes para a Democracia, Grupo Tortura Nunca Mais/SP e Comissão Justiça e PAZ da Arquidiocese de SP; articulação esta que gerou a peça acusatória da Sessão Indígena do Tribunal Popular da Ditadura, que ocorreu em 16 de julho de 2012 no XXXI Encontro Nacional de Estudantes de História em Guarulhos/SP.





Vários palestrantes no Debate do SINTUSP fizeram a ponte entre as violações de direitos humanos durante o regime militar e nos tempos atuais, que para nós nativos se traduz em decreto 7056/09, PAC 1 e PAC 2 (do qual a UH Belo Monte e a transposição do S. Francisco são emblemáticos por usar força militar para sua implantação)sem esquecer a Portaria 303 da AGU Advocacia Geral da União e a PEC 215 que atinge de morte as terras indígenas e quilombolas. Nós da Resistência Indígena Continental conclamamos todos os sindicatos comprometidos com direitos humanos, a exemplo do SINTUSP, para que se somem conosco pedindo o fim da Lei da Anistia, que auto anistiou os torturadores e assassinos do regime militar. Queremos que a Comissão Nacional da Verdade seja também a Comissão Nacional da Verdade e Justiça.

Em nome do Grande Espírito nós clamamos JUSTIÇA para com os milhares de parentes nossos exterminados durante o regime militar brasileiro para que as mega obras de energia e transporte, bem como expansão de fronteiras agropecuárias e minerações nas nossas terras ocorresse a custa do nosso sangue derramado ... O que fizeram com os nossos parentes é CRIME LESA HUMANIDADE, que só agora começa a ser desvelado pela nossa articulação com a Rede de Direitos Humanos. Por isto a Resistência Indígena Continental esteve participando do Tribunal Popular da Ditadura. E endossamos junto com o ativista de direitos humanos Marcelo Zelic a peça acusatória da Sessão Indígena do Tribunal da Ditadura (http://resistenciaindigenacontinental.blogspot.com.br/2012/08/povos-indigenas-e-ditadura-militar.html ).

Os DITADORES do regime militar no Brasil a serviço das elites econômicas nacionais e estrangeiras sob a supervisão da ESCOLA DAS AMÉRICAS exterminaram povos originários contactados e sem contacto (isolados, que nós chamamos de resistentes)através de bombardeios de avião usando napalm, armas de fogo, eletrocutando,inoculando propositadamente com varíola e tifu,distribuindo açúcar contendo arsênico,criando penitenciárias em terras indígenas em que nativos eram torturados e mantidos clandestinamente,crianças índias assassinadas a tiros, mulheres índias sendo penduradas de cabeça para baixo e cortadas ao meio por facão,estes e outros horrores para que o setor econômico se apropriasse das nossas terras e riquezas naturais, destruísse nossos territórios sagrados, assassinasse milhares de nós num banho de sangue semelhante ao ocorrido no primeiro século da invasão européia neste Continente. E nos dias atuais o PAC 1 e PAC 2 são implantados pela ditadora Dilma até em obra que o próprio regime militar não ousou impor (UH Belo Monte) onde existem cerca de 7 mil indigenas isolados e a FUNAI mente dizendo serem apenas pouco mais de uma centena. A História se repete como tragédia para nós povos originários.




Pela gravidade de tudo que está vindo à tona nós da Resistência Indígena Continental conclamamos o movimento sindical brasileiro a seguir o exemplo do SINTUSP e divulgar os crimes da Ditadura Militar contra indígenas e não indígenas forçando a Comissão Nacional da Verdade a incluir todas as violações de direitos humanos ocorridas na Cidade, no Campo e na Floresta.

Um comentário:

svc disse...

Isto mesmo pessoal, temos que divulgar ao máximo, para o Brasil e para o mundo, o genocídio indígena que sempre foi praticado impunemente neste país, desde 1500 e que continua ocorrendo até os dias de hoje, aos olhos de todos, a exemplo dos Guarani-kayowá. vamos todos lutar contra a HIPOCRISIA GOVERNAMENTAL BRASILEIRA, onde todos fingem estar cuidando dos nossos indígenas, enquanto fazem vistas grossas à todo tipo de desrespeito e atrocidades!

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